quarta-feira, 9 de março de 2011

ócios do ofício

Ainda ontem, conversando sobre a “arte de perambular”..., ou seja, aproveitar prazerosamente o tempo vago. Lembrei-me voltando para casa e preparando o lanche, que o livro de Domenico De Masi: “O Ócio Criativo” versa nesse sentido, “...a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo, isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo...”. ou, “...aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo...”. Entretanto, uma frase do livro me interessa: “O homem que trabalha perde tempo precioso”. Me adianto, atualmente gosto de trabalhar e tenho prazer em executá-lo (sem abrir mão, claro, do tempo necessário à perambulação) , pois depois de muito transitar (e não perambular) e perder “o tempo precioso” entre um trabalho e outro (desprazerosos e desinteressantes) aos 26 escolhi minha profissão (professor) e depois a área de atuação (humanas). Isso decorreu em função da necessidade de juntar o útil (e necessário) ao agradável: trabalhar, conhecer, instruir, divertir e perambular.
Não quero parecer pseudo-erudito (sou apenas um curioso e um leitor indisciplinado), porém, a “Utopia” de Morus, fala de um trabalho prazeroso, escolhido pelo individuo e exercido apenas durante 6 horas diárias, o restante do tempo seria dedicado à instrução, lazer e demais afazeres (ócio). Voltando à “arte de perambular”, busco mais um exemplo-curiosidade na obra de João Antonio “Patuléia” cujo conto “A Arte de Chutar Tampinhas” nos remete a essa importante e complicada profissão de “perambulador”.

“Todos os homens, de todos os tempos, e ainda os de hoje, dividem-se entre escravos e livres, porque quem não dispõe de dois terços do próprio dia é um escravo, não importa o que seja de resto: homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso”.
(Nietzsche)

Um comentário:

  1. Não só o tempo que passou fazendo outras coisas, mas também as experiências que teve lhe tornaram um profissional determinado e com certeza apaixonado pelo que faz, pois quem vê de fora sente entusiasmo e paixão nas suas palavras que acabam nos levando de carona, nos fazendo compreender rapidamente sua mensagem e nos transformando em amantes da história também.

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