quarta-feira, 23 de março de 2011

chuva de outono

pingos de brisa me sossegam os olhos
e disparam o coração no horizonte morno
à espera do seu corpo fresco
envolto em folhas amareladas pelo tempo.
(Fabiano)
eu quero um dia de sol
pra levar pro meu quintal
e um pedaço do arco-íris
pra pendurar no meu varal

quero um dia bem bonito
pra brincar com meus amigos
e um livro bem legal
para ser meu preferido
(Fabiano e Felipe-7 anos)

Felipe e Murilo

uma estrela caiu
do céu da minha boca
queimou a minha roupa
e fundiu meu coração
...
outra estrela cairá
igualmente incandescente
que não seja diferente
e me encha de emoção.
(Fabiano)

sábado, 19 de março de 2011

quando nasci,
um anjo torto,
meu pai me disse:
cuidado rapaz!
a vida é muito perigosa
e sedutora.
não se entregue jamais!
lute, lute...
até o esgotamento completo!
seja monge, samurai, cavaleiro templário.
cuide dos seus, sempre!
por toda a eternidade e
além!
(Fabiano)

quinta-feira, 17 de março de 2011

sempre faço tudo aquilo que pode ser feito hoje,
amanhã!

quarta-feira, 9 de março de 2011

ócios do ofício

Ainda ontem, conversando sobre a “arte de perambular”..., ou seja, aproveitar prazerosamente o tempo vago. Lembrei-me voltando para casa e preparando o lanche, que o livro de Domenico De Masi: “O Ócio Criativo” versa nesse sentido, “...a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo, isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo...”. ou, “...aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo...”. Entretanto, uma frase do livro me interessa: “O homem que trabalha perde tempo precioso”. Me adianto, atualmente gosto de trabalhar e tenho prazer em executá-lo (sem abrir mão, claro, do tempo necessário à perambulação) , pois depois de muito transitar (e não perambular) e perder “o tempo precioso” entre um trabalho e outro (desprazerosos e desinteressantes) aos 26 escolhi minha profissão (professor) e depois a área de atuação (humanas). Isso decorreu em função da necessidade de juntar o útil (e necessário) ao agradável: trabalhar, conhecer, instruir, divertir e perambular.
Não quero parecer pseudo-erudito (sou apenas um curioso e um leitor indisciplinado), porém, a “Utopia” de Morus, fala de um trabalho prazeroso, escolhido pelo individuo e exercido apenas durante 6 horas diárias, o restante do tempo seria dedicado à instrução, lazer e demais afazeres (ócio). Voltando à “arte de perambular”, busco mais um exemplo-curiosidade na obra de João Antonio “Patuléia” cujo conto “A Arte de Chutar Tampinhas” nos remete a essa importante e complicada profissão de “perambulador”.

“Todos os homens, de todos os tempos, e ainda os de hoje, dividem-se entre escravos e livres, porque quem não dispõe de dois terços do próprio dia é um escravo, não importa o que seja de resto: homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso”.
(Nietzsche)